Já falaram em Cuca, o rejeitado, e Dorival Júnior, que está pelas tabelas no comando do Atlético-MG. Um sopro de loucura dá conta até de um contato com o ex-treinador do Boca Juniors Carlos Bianchi, que custa mais ou menos R$ 1 milhão por mês, um devaneio.
Há muito tempo, escrevi aqui que o futebol brasileiro produz jogadores como uma fábrica de salsichas, mas que esse fenômeno não se repete com treinadores. Eles são cada vez mais escassos e mais caros. Mas por que procurar os medalhões, em vez de apostar em nomes desconhecidos e, por isso, baratos?
Ninguém consegue dar uma resposta plausível para essa pergunta. Dizem que treinador de time grande precisa ter costas largas porque a cobrança é grande.
Afirmam que técnicos consagrados seguram melhor a bronca da torcida em caso de acúmulo de maus resultados. Tudo isso pode ser verdade – e eu até acho que é –, mas o que poucos levam em conta é que esses, tanto quanto qualquer outro nome desconhecido, não são mágicos. Ninguém consegue fazer um time andar se não houver qualidade e jogadores em bom número para suportar uma temporada.
O Grêmio arrisca mais neste quesito e, tradicionalmente, se dá bem.
Foi assim com Felipão, Tite e Mano Menezes. Está tentando nova proeza com Julinho Camargo, mas aí eu já acho que a coisa não vai vingar.
Mas essas são questões do Grêmio, que não cabe a mim colocar a colher. O Inter embarcou com o interino Osmar Loss para a Alemanha.
Loss poderia ser um Felipão, um Tite, um Mano. Mas está mais para Julinho. Apesar de jovem, Loss não parece ter ideias tão novas sobre futebol. Um bom exemplo foi o jogo contra o Avaí, na semana passada.
Ao perder Zé Roberto, lesionado, aos 13 minutos do primeiro tempo, escalou Fabrício, um lateral-meia-esquerda, com características de marcador. Por que? Ele não começou o jogo com dois atacantes?
Por que, ao ser obrigado, precocemente, a substituir um deles, optou por um meia e não por outro da mesma função de Zé Roberto?
O Inter só foi jogar bola – e vencer a partida – depois da entrada de Andrezinho, bem adiantado. Pelo menos, não se pode dizer que Osmar Loss não tem estrela. Venceu em sua interina estreia.
Agora, na Alemanha, Osmar Loss terá o maior desafio de sua vida. Vai enfrentar o Barcelona e, depois, Milan ou Bayern, de Munique. É briga de cachorro muito, mas muito grande. Ninguém irá criticar o Inter se o time ficar em quarto lugar neste torneio. O que parece estar valendo, agora, é o desempenho do time. Se for bem diante de equipes gigantes como as que estarão na competição, Loss começa a abrir o seu próprio caminho para permanecer. |  | |