Por motivo óbvio: os dois são titulares do Inter. A diretoria colorada teria enviado ofício à CBF solicitando a liberação, alguns dirigentes ligaram até para o Dunga e nada. O todo-poderoso da entidade, Ricardo Teixeira, jurou que não liberaria ninguém. Mas ontem, surpreendentemente, surgiu o anúncio oficial de que a CBF teria aceitado liberar Sandro para Tite. O inusitado nisso é que quem conseguiu o feito não foi o Inter, mas o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Noveletto, pela "amizade" que tem com Teixeira.
Ora, as coisas não podem se resolver na base da amizade. É ótimo ter amigos, cultivar ao nosso redor pessoas com as quais nos afinamos mais, isso é natural. Mas nas questões profissionais isso não pode prevalecer. Então, por ser amigo do Ricardo Teixeira, o presidente da FGF consegue um extraordinário benefício para o Inter, mantendo um jogador de alta qualidade para a sequência do Brasileirão. Preciso deixar claro que sou absolutamente contra a convocação de jogadores titulares por parte de qualquer seleção que não seja a seleção principal. Mas como as coisas não funcionam assim, obter a liberação de um jogador na base da amizade é algo difícil de compreender.
É comum ouvir que o futebol é o Brasil que deu certo. Pode ser. Mas este episódio dá a sensação de que a coisa não é tão séria assim. Será que o Dunga é o técnico da seleção porque é amigo do Ricardo Teixeira? Será que o Robinho, que não joga nada, é titular porque é amigo do Dunga? Será que a CBF pauta suas ações em torno dos amigos e dos inimigos do Rei?
Estranho. Muito estranho. |  | |