| Texto publicado em 25/01/2010* - 15:09, segunda-feira. | por Ítalo Amorim | | *Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 2 anos e 3 meses! |  Os engenheiros de obra pronta Você se esmerou tanto para fazer aquela maquete da vegetação do estado do Rio Grande do Sul na sua aula de geografia. Ela está caprichadinha, bem pintada, os cortes foram feitos de forma milimétrica, mas por um “milagre” você recebe a nota 7, sendo que o trabalho valia 10.
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 A sua professora, aquela que disse que você errou a vegetação na parte da Campanha e na parte Central do estado, essa sua professora é o que conhecemos como engenheiros de obra pronta.
Quer dizer. Você deixou de jogar futebol com seus amigos, de cair na piscina do clube, de tomar um picolé sob a sombra escutando sua música preferida, ou na pior das hipóteses, deixou de ficar em casa mesmo, embaixo do ventilador vegetando em frente a tv.
Entendeu? Você deixou de fazer coisas legais, para fazer uma maquete.
Sim. Essa professora é uma engenheira de obra pronta. Pois, apesar de todo seu esforço para fazer uma maquete quase perfeita da vegetação do Rio Grande do Sul – que não é tão fácil assim de se compreender – ela te deu um mísero 7.
Maldita, colocou defeito em tudo. “Aqui tu podias ter caprichado um pouco mais”.
Pessoas como essa sua ingrata professora existem aos montes por aí. Sempre pulando de projeto em projeto, colocando defeito em tudo. São os engenheiros de obras prontas ou também conhecidos como críticos. Sempre lá em suas cadeiras, movendo nenhuma parte de seu corpo senão os lábios para falar mal do que foi feito com muito esforço por pessoas que não eles próprios.
É fácil ser crítico. Mais fácil ainda ser um crítico de futebol.
Como já comentei em outra crônica minha, todo bom brasileiro sabe tudo de futebol. E todo mundo se dá ao luxo de ser um crítico.
Pois quando Paulo Autuori frisava sua metodologia de não modificar o time sob nenhuma circunstância, nem mesmo quando o posicionamento dos adversários pudesse ser um furo a ser explorado, quando ele disse que manteria sempre o mesmo 4-4-2 com os mesmos titulares, ele foi criticado.
Agora, em outra geração, Silas deixou claro que não optará por um esquema fixo, flutuará em todas as opções que tem ao seu dispor. Brincará de 3-5-2, 4-5-1 e 3-4-3. O time tem potencial para isso. Mas advinha: foi criticado pelos engenheiros de obra pronta quando tentou fazer isso contra o Veranópolis, escalou o badalado quarteto ofensivo e as coisas não deram certo.
Tudo bem, não foi culpa dele. Imbróglios acontecem como no lance do Réver que resultou o gol da equipe do interior.
Mas daí aparecem os engenheiros de obra pronta cornetear.
Falar é fácil, quero ver eles fazendo aquela sua maquete ou ganhando do Veranópolis. |  | |
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