| | Casa de Maximiliano Hahn, conhecido como Professor Hahn, no centro de Gramado e que foi o berço do YOUGURT na América Latina. Possuia um complexo comercial e era uma atração turística nos anos 50 e 60. Está destinada a ser demolida para um shopping. |
Memória é solução !
Revivendo a terra de Gramado
Marilia Daros, Historiadora
“O homem faz história o tempo todo:
se expressa, se realiza, existe e vive na história.
Tem uma vida histórica ou... uma história de vida.
Vive o que lhe toca viver como parte da humanidade.
Tem a responsabilidade de ser justo, autêntico e íntegro.
A história se move o tempo todo:
nos relatos, nas vivências, no feijão com arroz... ou, no caviar...
A memória guarda a história.
Memória, então...
não é um problema e sim, uma solução!”
(Marilia Daros, 2001)
É sabido que a especulação imobiliária e a agressão ao verde são a maior preocupação da comunidade de Gramado, especialmente depois dos levantamentos ocorridos no Programa Gramado Qualidade (PGQ), organizado pela CICSAT em 2001, e que registrou o óbvio: os gramadenses querem retomar sua história, sua identidade cultural, sem perder o rumo do turismo. Ao contrário! Esta retomada, implica na qualidade e qualificação do olhar e da ação dos gramadenses.
Pois para isto, os habitantes locais, natos ou adotivos, precisam "reviver a terra", mas com uma visão antropológica e emocional.
Quando se quer uma boa colheita, não se plantam as sementes em terra dura! É preciso trabalhar a terra, revirá-la, revivê-la, para que, ao lançarmos as sementes, elas realmente venham a vingar e dar frutos.
O olhar atento, o acesso ao patrimônio cultural do grupo, o diagnóstico sócio-econômico já foram feitos. O conhecimento e divulgação dos resultados já são de domínio público. Agora, cabe a nós, gramadenses a ação, a concretização, a semeadura.
A preservação da natureza , o resgate da cultura, já passaram para outro tempo: o tempo de retornarem ao passado e serem, novamente, fontes geradoras de riqueza. Se cuidamos de nós, melhor vamos nos mostrar e vender nossa imagem.
Gramado, na década de 20, tinha consciência de que o turismo era o seu futuro. O trem nos dizia isto. Nos anos 50, novamente velejamos na frente e garantimos que uma flor, a hortênsia, aliada à nossa paisagem e nossa beleza natural, nos reservasse a nave mãe do turismo riograndense.
Não tenho medo de errar em afirmar que, neste entrar de um novo ano, vamos voltar ao nosso pioneirismo: fazer com que a nossa história de trabalho ,tenha , como merece, a melhor fatia: o espaço sócio-cultural que a memória local merece ter e que o turismo quer ver e visitar. Como todos os desafios do passado, este desafio vai nos fazer aprender a viver um novo tempo. Mas um futuro que vai contemplar a beleza e a dignidade do nosso passado.
Para isto é que, em breve teremos que vivenciar o Centro de Memória de Gramado. Um sonho que vai sair do papel e ganhar o aval dos nossos governantes e visitantes, com certeza.
Por isto, "revivendo a terra", vamos restaurar e revitalizar o nosso passado. Vamos mostrar o talento camaleão que temos.
Vamos agenciar o Turismo Histórico. Como falei em 1998 na Universidade Regional Integrada das Missões, no Seminário que contempla a história como atrativo turístico ," precisamos de muito mais amor do que antes, para fazermos os reparos sociais e educacionais, preparando nosso povo para contar o passado de Gramado, agora, como um produto turístico."
Quando você ler e quando você concordar que é chegada a hora de PENSAR ALTO e de AGIR, entre em contanto comigo. Precisamos trocar idéias. Vou gostar muito de falar com pessoas que pensam como eu e que amam Gramado como eu amo.
FELIZ 2005, REVIVENDO A TERRA DE GRAMADO. |  | |