| | Marilia Daros, primeira à esquerda, com colegas da Faculdade de Belas Artes, em passeio de estudos à São Paulo,verão de 1968. Nesta hora de lazer, veste o seu primeiro biquini verde. |
MEU PRIMEIRO BIQUINI!... Marilia Daros
Para meus amigos de sempre!
Dezembro de 1967 !
Com boas notas nas mãos, malas e um mês longe de casa, aportei na rodoviária de Gramado ( a antiga, no sobrado dos Stürmer ). Era o final do 2º ano da Escola de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em Porto Alegre( não era por semestre como agora ), final das provas e, o melhor, início das merecidas férias. Nosso Sinca branco estava me aguardando. Era um lindo carro para a época e muitos ainda lembram bem dele.
Eu chegava para recarregar as baterias, como a gente dizia. Afinal, nada como o lar e a família para isto. Os afetos revitalizavam minha alma e, com certeza, renovavam minha vontade de estudar. E dos meus amigos. Como eu, muitas amigas que estudavam fora, retornavam nesta época. Não é como agora, no vai e vem de estrada para se fazer uma Universidade. A gente ficava na casa de parentes ou em pensões especiais para estudantes. Eu, tinha grandes tios que foram minha 2ª família nestes 4 anos de Universidade.
“Ficar em Gramado” tinha um sentido bem diferente do “ficar em Gramado”dos jovens de hoje... Rever os amigos: todos, nas festas de final de ano e nos espaços de convívio comunitário era o melhor presente. O reveillon na Recreio, os passeios pelas ruas da cidade, tanto à pé como no Sinca. Não se saía tanto à noite como hoje e não haviam tantos lugares para ir. Mas nos divertíamos da mesma forma. Tínhamos tanto a conversar, tanto para contar e ouvir...
Ajudar a preparar a ceia do Natal e a ver nascer o nosso vestido para o Baile de Reveillon, novinho em folha, era só felicidade. Sentar na praça e tagarelar com ela, era um hábito de que não abríamos mão, pois os rapazes ficavam ali perto, no Café Cacique, às nossas vistas. Nossos veranistas já estavam chegando para o veraneio e com eles, os seus filhos, nossos amigos. Era muita gente e eram muitos amigos !
Entre um sorvete no Café Brasil ou uma salada de frutas no bar do Luiz e da Ceminha... Entre uma caminhada até o Belvedere do Vale do Quilombo embandeirada e os encontros nas nossas casas. Entre uma esticada até na Lanterna, em Gramado ou na Papagaia, em Canela...Entre uma partida de mini golfe, um banho de sol e um banho de piscina...
1968: de janeiro a fevereiro!
Um grande e quente verão, quando o calor da juventude competia com o calor do sol. Tínhamos verões maravilhosos. Os jovens queriam mais era estar em casa, entre os seus, com o cheirinho de Gramado no ar e nossos amigos de Canela por perto também. As hortênsias eram o grande cartão de visitas: mais do que nossa hospitalidade e nossa criatividade.
Era a natureza e o “ar de Gramado” que mais atraiam os visitantes que vinham para ficar nos hotéis por bem mais tempo do que ficam hoje em dia... Nesta época se iniciaram os Festivais do Shopp de Gramado, lembram ? Era um bom programa para o veraneio, podem ter certeza. E a música que se ouvia no Parque Hotel fazia muito bem ao coração e convidava ao repouso na gramas saudável em torno do lago. E o alto falante da Igreja dava as últimas notícias sobre a programação que haveria. Claro que, às vezes, as notícias não eram tão boas.
Aí retomo à lembrança...
“Entre uma partida de mini golfe, um banho de sol e um banho de piscina...”
A piscina do Gramado Tênis Clube ( que ainda não tinha sede social ).E me recordo do meu primeiro biquíni ( bikini no original ). Mal sabia eu que o Biquíni fora inventado por um estilista francês chamado Luis Réard e que fora lançado em 26 de junho de 1946, como uma verdadeira bomba na época. Que 10 anos depois Brigitte Bardot imortalizaria o biquíni num de seus filmes, isto eu já sabia ! Demoramos bastante para acompanhar a moda por aqui. Claro que a comunicação global era bem diferente.
Mas o meu biquíni “made in hause” como dizíamos, foi uma novidade naquele verão. Não era de “bolinha amarelinha bem piquinininho”, como dizia a canção ! Era mais um duas peças, sem ousadias, em tecido verde e todo recoberto com babados de bordado inglês. Era bem jeitoso até, se a gente pensar que aos 22 anos as garotas quase sempre são magrinhas. ( pelo menos...eram! ).
Pois quem diria que o ano novo de 2005 me faria recordar tudo isto.
Nossos anos dourados estavam acabando e precisávamos dar rumo, norte, aos nossos sonhos, às nossas vidas. Profissionalizar. Trabalhar. Construir o futuro. E todos estamos por aí, para contar agora o que nunca contamos. Para dar vida ao que já vivemos. Para garantir que fomos especiais. Que temos muitas histórias como esta para contar! Que o futuro de então se tornou hoje um abençoado presente.
Pra mim foi bom !
Foi bom pra você ? |  | |